[Resenha] Simplesmente o Paraíso – Julia Quinn

Queridos leitores de romances de época,

Caso vocês ainda não tenham lido algum livro da Julia Quinn, recomendo que leiam. Caso nunca tenham ouvido falar sobre ela, recomendo que procurem. Assim como o Stephen King é o meu autor favorito de terror, e a Carina Rissi é a minha referência quando penso em bons romances, a Julia “Rainha” Quinn é a minha musa inspiradora quando o assunto são adoráveis romances históricos, e livros gostosos de se ler.

Mesmo com mais de 12 livros possuindo o mesmo cenário e personagens (algumas figuras estão presentes em todas as obras <3), e mesmo possuindo uma estrutura narrativa bem semelhante em todos eles, para mim, cada uma das obras evoca um universo novo, único, e encantador da sua própria maneira. Tá, talvez eu já tenha dito isso em outras resenhas também (caso tenham curiosidade, elas estão disponíveis aqui também), mas é importante salientar que mesmo com tais semelhanças, os livros da Julia continuam sendo atrativos. Você lê 12 histórias parecidas, mas que são completamente diferentes. A estrutura é igual, mas os personagens que a compõe são originais. Até mesmo nos Bridgertons cada um dos filhos possuía características que tornavam suas histórias únicas, e fascinavam seus leitores, como o bom-humor do Colin, a tagarelice da Eloise, a curiosidade da Hyacinth, e a ranzinzice do Anthony. Ou seja, eram as suas peculiaridades e traços próprios que ordenam e dão sentido as suas histórias.

Em Simplesmente o Paraíso, desta vez, a protagonista é Lady Honoria, ninguém mais ninguém menos que a filha da Lady Winslent, a organizadora dos terríveis concertos promovidos pelas Smith-Smithyes todos os anos, em que os Bridgertons sempre compareciam por mero decoro (e o resto do público também). Bem, até mesmo o leitor sabe que o quarteto não tem talento nenhum, e que a qualidade da música se assemelha à um gato morrendo, entonando suas últimas lamúrias. Contudo, mesmo sendo o que é, os eventos continuam acontecendo em nome da tradição, e, conforme a necessidade, os integrantes destes são substituídos pelas primas mais novas e solteiras.

No primeiro livro da saga O Quarteto das Smith-Smithys, Lady Honoria encanta o leitor com seu amável senso de humor, sua espontaneidade sutil, e sua personalidade magnifica. Em vários momentos da obra, me peguei rindo com suas artimanhas, como o buraco que ela cavou para criar uma cena com seu pretendente. E, assim como todas as histórias que me seduzem, me senti frustrada com as derrotas daquela, e maravilhada com suas conquistas. Ela é incrível. Divertida e simples, Honoria é tudo aquilo que eu acho que uma protagonista deveria ser.

E assim como ela, Marcus também tem todas as características que considero como ideais (bom humor, carisma, delicadeza e cavalheirismo, em outras palavras, a figura encarnada do príncipe encantado). Ambos me conquistaram logo nas primeiras páginas, fazendo com que eu desejasse o felizes para sempre o mais rápido possível.

Na trama, o mocinho teve uma infância solitária, no qual o seu pai, um Conde, acreditava que ser um bom pai se resumia a dar somente o necessário de atenção, e ensinar a cavalgar. Órfã de mãe e de afeto, o menino foi criado por sua governanta, e nunca soube muito bem como fazer amigos ou até mesmo se socializar.

Ao chegar na adolescência, ele é enviado para Ethon, e lá se torna rapidamente amigo de Daniel, um Smith-Smithyes. Consequentemente, o primeiro se torna uma presença frequente na casa do amigo (como não era próximo ao seu pai, Marcus sempre ia para lá nas férias), e começa a “fazer parte de uma família” barulhenta e extremamente unida. Lady Wislent, a matriarca e mãe de Daniel se torna como uma mãe para ele, e sua irmã caçula, Lady Honoria, dona de olhos da cor de Jacinto e de uma teimosia semi igual, como uma irmã, e alguém que ele nutre afeto e carinho.

Os anos se passaram. Já adultos, uma desgraça acomete Daniel, e ele é obrigado a deixar o país às pressas. Preocupado com a honra de sua irmã mais nova, ele deixa o amigo incumbido de cuidar daquela e garantir-lhe um bom casamento. Marcus estava indo bem em seu cargo, espantando todos os partidos que não eram dignos da bela jovem que Honoria havia se tornado. Contudo, inconscientemente, ele acaba se apaixonado pela irmã do amigo, e por mais clichês que pareça, ela também se apaixona por ele.

O amor entre os dois é uma graça, posto que o relacionamento é doce, inocente e repleto de companheirismo. Ao longo das páginas, é possível perceber a evolução de algo fraternal para atração, fora acompanhar de perto a transformação da irritante criancinha teimosa na mulher forte e decidida. A forma com que a escritora desenvolveu todos esses detalhes fez com que sentíssemos como se tivéssemos acompanhado o nascer dos sentimentos até o seu desabrochar, o que provocou certa nostalgia em mim, além daquela sensação de “awnss, meus menininhos cresceram” aueuhaeu. Fiquei lisonjeada com a mulher que Lady Honoria se tornou, e de ter participado deste amadurecimento.

Bem, como sempre, para deixar tudo ainda melhor, têm-se a deliciosa escrita da Julia Quinn. Assim como comer brigadeiro, não importa quantas vezes eu leia e me depare com os seus livros, mas eu sempre irei querer lê-los, e a experiência sempre será extasiante para mim (o exemplo do brigadeiro foi porque eu nunca me canso de comê-lo).

Eu adorei a proposta da saga Smiths-Smithys. Sempre quando lia os Bridgertons, ficava me perguntando qual o motivo que levava a família a repetir o mesmo fático concerto todos os anos. Quando terminei de ler Simplesmente o Paraíso, eu concluí que se tivesse uma oportunidade, eu com certeza iria querer participar daquilo tudo.

Parabéns Julia Quinn, como sempre, você arrasou! Continue sempre assim, produzindo mais livros, e me fazendo perder todas as minhas economias com um sorriso no rosto, e o coração apertado pela chance de conhecer um pouco mais de ti.

Por fim, antes que eu me esqueça (é claro que eu não iria esquecer, mas é bom fazer drama) é importante falar sobre a edição da obra. Encontrei o box do Quarteto em promoção na Amazon por 99 reais. Cara, ele é tão lindo! A sua estrutura em si é diferente dos demais boxes que tenho na minha prateleira, e com certeza, é o mais bonito que já adquiri. Os detalhes que o compõe, as capas dos livros e os mimos dados pela editora (marcadores magnéticos com a capa do livro, uma cartinha da Julia e cards) são espetaculares. Eu me senti maravilhada enquanto abria a embalagem da livraria, algo que geralmente sinto somente com os livros da Darkside. Me apaixonei por cada detalhe, e fui a louca que ficou esfregando o rosto em cada um deles, sentindo o cheiro e tocando… coisas de leitores consumistas heuau’ (inclusive, minha mãe ficou me olhando achando graça, como se eu fosse louca, achei ofensivo uhaehu).

Então, querido leitor que chegou até aqui, peço desculpas pela resenha ter sido meio comum. A Julia Quinn é uma de minhas autoras favoritas, como eu disse, as suas histórias possuem sim muitas semelhanças, e como já postei várias críticas aqui no blog, fica até meio difícil de pensar no que ainda não disse (sempre avalio escrita, construção dos personagens, construção da história, coerência e final. E como já avaliei vários tópicos deste “meu referencial”, não tinha muito o que ser dito). Mas como sempre tento acompanhar os seus lançamentos, não vejo sentido em não fazer uma resenha, ressaltando os pontos que sempre me fazem lembrar o porquê de a autora significar tanto para mim.

De uma maneira geral, Simplesmente o Paraíso se tornou um dos meus livros favoritos desta. Amei ambos os protagonistas e me apaixonei pela história de amor que estes contracenam, não sei o que dizer, apenas leiam, e sintam por si mesmo, e claro, criem suas próprias opiniões. Como sempre defendemos aqui no blog, cada leitor cria suas próprias experiências e recordações sobre aquilo que lê.

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Box Quarteto das Smythe / Créditos: Livros – Ontem, Hoje e Sempre

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FICHA TÉCNICA

 

Nome: Simplesmente o Paraíso;

Páginas: 272;

Autor: Julia Quinn;

Editora: Arqueiro;

Gênero: Romance de Época;

Sinopse: “Os livros de Julia Quinn já atingiram a marca de 10 milhões de exemplares vendidos.
“É bem improvável que um fã de romances nunca tenha ouvido falar em Julia Quinn. Se você é um dos poucos que nunca leu um livro dela, recomendo que corra e garanta qualquer um! Eles são fascinantes, cheios de charme, humor e perspicácia.” – Kirkus Reviews 
Honoria Smythe-Smith sabe que, para ser uma violinista ruim, ainda precisa melhorar muito…
Mesmo assim, nunca deixaria de se apresentar no concerto anual das Smythe-Smiths. Ela adora ensaiar com as três primas para manter essa tradição que já dura quase duas décadas entre as jovens solteiras da família. Além disso, de nada adiantaria se lamentar, então Honoria coloca um sorriso no rosto e se exibe no recital mais desafinado da Inglaterra, na esperança de que algum belo cavalheiro na plateia esteja em busca de uma esposa, não de uma musicista. Marcus Holroyd foi encarregado de uma missão… Porém não se sente tão confortável com a tarefa. Ao deixar o país, seu melhor amigo, Daniel, o fez prometer que vigiaria sua irmã Honoria, impedindo que a moça se casasse com pretendentes inadequados. O problema é que ninguém lhe parece bom o bastante para ela. Aos olhos de Marcus, um marido para Honoria precisaria conhecê-la bem (de preferência, desde a infância, como ele), saber do que ela gosta (doces de todo tipo) e o que a aflige (como a tristeza pelo exílio de Daniel, que ele também sente). Será que o homem ideal para Honoria é justamente o que sempre esteve ao seu lado afastando todo e qualquer pretendente? Com seu estilo inteligente e divertido, Julia Quinn enfim apresenta ao público o Quarteto Smythe-Smith, o terrivelmente famoso e adoravelmente desafinado grupo musical que conquistou os leitores antes mesmo que as cortinas se abrissem para ele.”


Imagem de capa retirada do blog: Mademoiselle Loves Books
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