[Resenha] Outlander: A Libélula No Âmbar – Diana Gabaldon

“Um amor capaz de transcender as fronteiras do tempo”

E se a única chance de salvar o homem que você ama fosse asfixiar uma revolta que ainda não ocorreu, mas que seria responsável pela morte de milhares de escoceses, pelo fim da tradição de clãs, e de vários outros costumes das Terras Altas?! No segundo volume da saga Outlander, com o subtítulo: A Libélula No Âmbar, Jamie e Claire viajam rumo a Paris para evitar que a Revolta de Culloden acontecesse – levante Jacobita ocorrido na Escócia, no século XXVII, no qual estes pegaram em armas e lutaram bravamente, reivindicando um rei católico no poder.

Em meio as intrigas e conflitos da corte parisiense, o casal principal precisa permanecer unido, curar todas as antigas feridas provocadas por Black Jack, e ainda garantir que a criança que Claire carrega em seu ventre tenha um lugar para o qual voltar.

O início do livro é cruel e desesperador. Grávida e em choque, a protagonista é acolhida por Frank quando reaparece no século XX, e juntos, eles vivem um presente no qual o passado é proibido. VINTE FUCKING ANOS SE PASSAM, e, por vintes anos, a heroína guardou um grande segredo sobre a jornada que viveu ao lado do amor de sua vida nos três anos em que ficou desaparecida.

Somos levados a Inverness em 1968, com uma Claire viúva, acompanhada de Brianna, sua filha, e Roger, o filho do reverendo que aparece no primeiro livro. Após a morte do marido, a primeira decide finalmente contar para a sua filha a verdade sobre o seu pai biológico. E no meio de tantas revelações, vem à tona o que realmente ocorreu no tempo em que Claire e Jamie estavam na cidade de luz, e o sentimento inesquecível e avassalador que ambos protagonizaram enquanto estavam juntos.

O amor vivido entre os personagens é inspirador. Ao longo de 935 páginas, eles passam pelo próprio inferno, jantam com o capeta, são os primeiros passageiros em uma montanha-russa de sentimentos, mas ainda assim, continuam apaixonados, e dispostos a viver qualquer coisa para garantir o felizes para sempre um do outro.

– Eu a encontrarei – murmurou ele em meu ouvido. – Eu prometo. Ainda que tenha que suportar duzentos anos de purgatório, duzentos anos sem você, esse será meu castigo, que eu mereci pelos meus crimes. Porque eu menti, matei e roubei; traí e quebrei a confiança. Mas há uma única coisa que deverá pesar a meu favor. Quando eu ficar diante de Deus, eu terei uma única coisa para contrabalançar o resto.

Sua voz diminuiu, até quase se transformar num sussurro, e seus braços apertaram-me com mais força.

– Meu Deus, o Senhor me deu uma mulher especial e, Deus!, eu a amei demais. (878)

Não sei se eu sou manteiga demais, mas só de reler o trecho acima, meus olhos ficam marejados.

Com relação a escrita em si da autora, assim como o primeiro livro, as primeiras páginas podem provocar certo choque. As palavras utilizadas não são usuais, e a construção das frases transmite um tímido rebuscamento. Porém, ao decorrer da leitura, o que antes era estranho se torna comum, e até mesmo algo belo (percebemos que é o estilo da escritora).

A narrativa em si é crescente. Os acontecimentos estão todos interligados, e todos possuem um papel emblemático para a construção da trama. Diana Gabaldon soube costurar magnificamente todos os elementos, sem criar trechos ou capítulos desnecessários, ou até mesmo fatos sem importância. Obviamente, alguns momentos não são tão relevantes quanto outros, mas isso depende de leitor para leitor. São 900 páginas que passam rapidamente, e sem esforço nenhum.

E não, não vou mentir, Outlander: A Libélula No Âmbar é sim um livro cansativo, todavia isso não quer dizer que ele seja ruim, pelo contrário, é um dos livros mais completos que já li. São histórias demais, tramas demais, e reviravoltas demais. Em momento algum, a história está estática, a cada momento, são novos acontecimentos e novos desdobramentos.

Tem tudo, sangue, mortes, amor, conto de fadas, desesperança e sexo. A escritora soube criar uma narrativa em que todos esses elementos se misturassem harmonicamente, sem causar conflitos ou incoerências. Uma coisa que eu sempre direi para vocês é que Outlander é o livro e a série da minha vida. Eu posso ficar puta, posso estar detestando, mas no final eu vou amar, e ver daquilo uma das melhores produções que já encontrei em toda minha vida.

Não, não é puxa-saquismo. Ou melhor, talvez seja também. Mas como uma blogueira (acho que posso me intitular assim), sou capaz de distinguir uma boa história de uma história preciosa.

Ao longo da obra, Jamie e Claire se tornam parte de nossas vidas. Nós vibramos com eles a cada conquista, choramos com cada derrota, e desejamos que tudo dê certo. E claro, viramos manteiga derretida em cenas emocionantes. A cada página, é nítido também as evoluções dos dois personagens, e o quanto eles precisaram de crescer para conseguir enfrentar o que lhes aguardavam. A história é envolvente, e eu realmente me apeguei ao casal. Ao final da leitura, senti como se eles fossem uma parte de mim, uma construção de um sonho de menina que eu sempre tive, e que eu não estava disposta a abrir mão.

Quem nunca sonhou com um amor capaz de superar tudo?! Com o cara e a mulher perfeito (a), que independente dos seus erros e das suas cagadas, te aceitaria do jeito que você é, e te amaria a cada dia mais?! E por fim, por uma pessoa que fosse uma real companheira, que estivesse do seu lado nos bons e nos maus momentos, sempre te dando apoio, e disposta a dar a volta ao mundo (mesmo que descalço e a pé) para garantir que você fosse feliz?!

E cara, é possível encontrar tudo isso em Outlander. Não é só um livro de amor. É um livro sobre conquistas, desafios, superações, safadezas, e claro, valor cultural. Quando eu conheci a saga, instantemente eu me apaixonei pela Escócia, e quis conhecer mais sobre aquela terra. Obviamente, como o espirito de humanas que sou, consequentemente, me encantei pela história da região, e pesquisei sobre a importância daquela revolta (mesmo que sangrenta) para as conquistas das liberdades que o país tem hoje. Além de tudo isso, a obra ainda é rica em detalhes e experiências, o que faz com que o leitor sinta como se conhecesse o país, mesmo sem nunca ter ido ao local.

E novamente, eu tenho que parabenizar Diana Gabaldon. Parabéns, maravilhosa! Você conseguiu criar uma história em que os leitores se apaixonassem com os personagens, se sentissem parte daquele universo, se indignassem com o cabeça oca do Príncipe Charles, torcessem por uma Escócia melhor, vibrassem pelos bons acontecimentos e acertos, e se despedaçassem por aquele final CRUEL.  É encantador ver isso, uma escritora capaz de expressar tantos sentimentos, e provocar vários outros com uma trama relativamente simples. E é ainda mais maravilhoso sentir que você leu um livro capaz de mexer com a sua alma de leitor, abrindo um novo parâmetro de comparação ao se pensar em literatura.

Para as pessoas que se interessarem em ler Outlander, assim como o primeiro livro, recomendo que leiam ao pouco. É uma leitura para ser curtida, e não engolida. É um livro que te enriquece, que te faz crescer de algumas formas.

Next … Outlander: O Resgate no mar – PARTE I

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FICHA TÉCNICA

 

Nome: Outlander – A Libélula No Âmbar;

Páginas: 935;

Autora: Diana Gabaldon;

Editora: Arqueiro;

Gênero: Ficção, Romance, História;

Sinopse: “Claire Randall guardou um segredo por vinte anos. Ao voltar para as majestosas Terras Altas da Escócia, envoltas em brumas e mistério, está disposta a revelar à sua filha Brianna a surpreendente história do seu nascimento. É chegada a hora de contar a verdade sobre um antigo círculo de pedras, sobre um amor que transcende as fronteiras do tempo… e sobre o guerreiro escocês que a levou da segurança do século XX para os perigos do século XVIII. O legado de sangue e desejo que envolve Brianna finalmente vem à tona quando Claire relembra a sua jornada em uma corte parisiense cheia de intrigas e conflitos, correndo contra o tempo para evitar o destino trágico da revolta dos escoceses. Mesmo com tudo o que conhece sobre o futuro, como será possível salvar a vida de James Fraser e da criança que carrega no ventre?”

 

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